Na senda da educação inclusiva



Das visões impossíveis às missões pelos caminhos possíveis

“As mudanças educativas dependem do que os professores [e todos os outros profissionais de educação] fazem e pensam…” (Fullan, 1982, p. 10)

Publicado a 6 de julho de 2018, o Decreto-Lei nº 54/2018 reitera o compromisso nacional com a educação inclusiva enquanto processo que visa responder à diversidade de necessidades dos alunos através do aumento da participação de todos na aprendizagem e na vida da comunidade escolar. A este pretexto, muito se tem debatido em torno das possibilidades de uma ação cada vez mais inclusiva nas escolas. Ora mergulhamos em visões de impossibilidade onde atender a todos e a cada um dos alunos parece missão impossível, ora visitamos missões de possibilidade onde a diversidade de caminhos possíveis valoriza a diferença na aprendizagem de todos e de cada um dos alunos. É inegável que esta é uma missão exigente para profissionais, escola, comunidade e sociedade mais alargada. É uma missão de compromisso ético e social que a todos convoca na reflexão e na ação.

Nesta viagem, de múltiplos itinerários, exige-se vontade, fôlego e esperança. Vontade das direções das escolas, fôlego dos professores e esperança de todos.

Vontade vertida na visão e missão de escola, orientada para o sucesso de todos os alunos e concretizada numa ação estrategicamente articulada, que congregue esforços de gestão de recursos logísticos, físicos e materiais e de mobilização de profissionais.

Fôlego dos professores e de outros profissionais, a quem se pede mais esta missão, que se diria ser A MISSÃO! Fôlego porque é uma missão que obriga a rever e a questionar formas de pensar e de agir e, por isso, uma missão de reflexividade autêntica, de compassividade na atuação e de transformação pessoal e social. Fôlego porque é uma missão de longo prazo que não se esgota no agora, no amanhã ou num futuro próximo.


E, finalmente, a esperança. A esperança na valorização da diversidade como o caminho para o sucesso de todos. A esperança na educação enquanto visão que ilumina os caminhos possíveis na senda da inclusão.




Marisa Carvalho
Professora Auxiliar Convidada na Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa; membro do Centro de Estudos em Desenvolvimento Humano (CEDH-UCP).


 
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